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Muhammad Yunus: "Esqueça o emprego, empreenda"

O professor de economia e Prêmio Nobel da Paz de 2006, o bengalês Muhammad Yunus se considera uma pessoa de muita sorte. “Eu faço o que eu amo. Fiz o que eu amo a minha vida inteira. E não é sempre que isso acontece”. Com essas palavras, ele começou o primeiro evento de 2013 do Movimento Empreenda, uma iniciativa da Editora Globo de estímulo ao empreendedorismo no país.

O economista fundou, em 1976, o Grameen Bank, uma instituição especializada em microcrédito em Bangladesh, o que lhe rendeu o prêmio Nobel da Paz em 2006. Agora, ele está trazendo ao Brasil um fundo para fomentar negócios de impacto social e a incubadora Yunus Negócios Sociais, que atua também no Haiti, na Albânia, na Alemanha, no Togo e na Tunísia.

“Esqueça o emprego. Quem quer um emprego? A partir de hoje você vai fazer um favor a você mesmo: você vai repetir todos os dias que não é um procurador de empregos. Você é um criador de empregos. Sua missão é criar empregos.”

Uma das coisas que o economista faz, e ama, é seu trabalho no Grameen Bank. A instituição possui 8,35 milhões de clientes, sendo 96% deles mulheres. Yunus conta que a maior parte  é analfabeta e hesita muito antes de aceitar empréstimos da instituição, com medo de que uma decisão ruim possa prejudicar toda a família. “Quando elas, finalmente, aceitam,dizem para si mesmas: eu vou dedicar a minha vida para nunca quebrar a confiança que recebi. Ela vai se assegurar que cada centavo será pago de volta na data certa”. E é o que fazem. Com o tempo, diz o economista, elas conseguem criar negócios lucrativos e ajudar muita gente ao seu redor.

Um fato interessante, no entanto, é o contato de Yunus com os filhos dessas mulheres – a segunda geração de uma familia cuja vida mudou completamente nos últimos 20 anos. Diferentemente das mães, os filhos foram alfabetizados e a maior parte tem um diploma universitário para pendurar na parede (estudo que é também financiado pelo Yunus Center). Acontece que, apesar da formação, é difícil encontrar trabalho no país. “Então, eles me perguntam o porquê de eu ter falado para eles estudarem, se eles hoje não conseguem emprego”, disse. A resposta do professor é curta e grossa: “esqueça o emprego. Quem quer um emprego? A partir de hoje você vai fazer um favor a você mesmo: você vai repetir todos os dias que não é um procurador de empregos. Você é um criador de empregos. Sua missão é criar empregos.” Não era o que os jovens esperam ouvir. Indignados, eles se perguntam: como eu vou criar trabalho se eu não tenho um trabalho? Como eu vou criar um negócio se eu não sei nada sobre isso? O economista, então, questiona: “você já perguntou para sua mãe como ela começou a vida? Já perguntou como ela construiu esse negócio ou qual foi a quantia que ela pegou emprestada 20 anos atrás? (…) Veja o que a sua mãe está fazendo e faça igual, mas 10 vezes maior. Ela, analfabeta, conseguiu fazer isso. Para que serviram todos os seus anos de estudo?”.

Apesar de a resposta fazer bastante sentido, Yunus sabe que a educação que se recebe na escola e nas universidades não é garantia de sucesso para quem quer empreender. “Nós dizemos às crianças: estude, trabalhe duro, tire notas boas. Assim, você terá o melhor emprego, na melhor companhia. Isso é ensinar empreendedorismo?”. Não é. O sistema educacional criado em todo o mundo, diz o professor, educa os estudantes a procurar trabalho, a escrever um currículo e até a se vestir para uma entrevista de emprego – tudo relacionado ao mercado de trabalho, menos a abrir um negócio próprio.

A opção que resta, pelo menos para a maior parte das pessoas, é apostar no instinto. E, nesse ponto, Yunus tem uma certeza: “todos os seres humanos são empreendedores”. Ele explica que tudo o que é preciso fazer é encontrar uma necessidade da sociedade e atendê-la. E é assistindo a essas urgências e procurando maneiras de solucioná-las que nascem os negócios sociais. Um exemplo citado pelo economista foi o da BRF, que procurou o Yunus Center para fazer uma consultoria sobre negócios sociais. A solução apontada pela consultoria foi  começar uma produção de frangos no Haiti, para estimular a economia do país. “Vamos usar as mesmas tecnologias, a mesma criatividade dos negócios que tem apenas o objetivo de gerar dinheiro para resolver problemas”.

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